À bolina

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Somos incompatíveis?! 

Sou politicamente incompatível com esta taxa…uma palavra de sossego e tranquilidade para 3.500.000 de portugueses… Eu estava a ouvir as notícias como muitos portugueses; ouvir e ver as notícias tornou-se um must. Um must que ocupa os nossos serões; fazemos zap de um canal para outro, ora são jornalistas ora são ex-políticos. Tudo opina, opinam uns contra os outros, opinam à direita, à direita, à direita e lá vem um a opinar à esquerda. Que alívio! Sempre existem e são trazidos até ao pequeno écran. Também se testemunham alguns jornalistas que vão dando um ar da sua graça, lá se atrevem a dizer umas coisas mais “à terra”, mais “à realidade”. Por exemplo, o Mário Crespo naquele frente-a-frente há dias em que parece um catavento, quando o debate aquece, ele nem sabe para que lado há-de olhar e às vezes nem consegue disfarçar um sorriso meio amarelo, e os convidados que não se calam e se engalfinham…há pares que pura e simplesmente deviam acabar. Olha o de hoje, Carvalho da Silva vs. Diogo Feio. Que diabo de ideia! A Ana Lourenço está muito atrevidota…até opina, sempre dentro de parâmetros muito contidos mas já não é a Ana Lourenço de uns anos atrás. Só fico satisfeita. Por exemplo, a Constança Cunha e Sá, estarei a ouvir bem? Não mudou de quadrante político? Iria jurar que sim mas hoje já nada é como dantes…O José Gomes Ferreira virou Ministro da Economia vs. Finanças mas, para o meu gosto, é muito interventivo sobretudo porque corta o raciocínio do entrevistado. Mas, enfim, são estilos e nenhum de nós é perfeito. Ah, não, perfeito, perfeito é o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Ah, aí a perfeição atinge a insustentável leveza do ser. É tudo diáfano. Agora até chega a esta confissão sobre as suas convicções mais profundas. Politicamente incompatível…Mas quem é que pode acreditar? Em bom português, desculpem-me a rudeza, estão a mangar connosco, não estão? Hoje dizem isto, amanhã dizem o contrário. Despudor. Primeiro querem confundir-nos; segundo, querem desmobilizar-nos. Atenção, eles querem desmobilizar-nos porque depois é bem mais fácil. Quando não estivermos no terreno – porque nos podemos cansar, porque nos podemos distrair, porque vem aí o período de férias que é negativo politicamente falando – nessa altura, como se diz em bom calão, é “sempre a abrir”. Mas não, Sr. Ministro, nós não acreditamos; nós não estamos distraídos; nós estamos alerta. Se o futuro é a luta, pois que seja. Como tão bem sabe, somos 3.500.000 de portugueses a quem tiraram o sossego e a tranquilidade, a ouvir, a testemunhar, determinados a defender os nossos direitos e a nossa dignidade porque nós, Sr. Ministro, somos politicamente incompatíveis com estas artimanhas. É uma vergonha, primeiro, para si, depois para o Governo a que pertence (e com o qual ainda não registamos nenhuma incompatibilidade digna de nota), finalmente para um país que tem tal Ministro e tal Governo. Uma vergonha, shame on you. Já nos sabíamos incompatíveis com estas medidas, com este Governo, com estas instituições à bolina mas agora, Sr. Ministro, no meio desta destruição que sabemos como começou mas ignoramos como acabará, ganhámos um lema: APRe! politicamente incompatível com esta taxa! Perfeito.
Maria Luísa Cabral