A Palavra da Revolta

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Estou muito aborrecida, hoje não meapetece escrever coisas bonitas… Estou indignada com o rumo que o nosso Paíslevou.

Os meus queridos avós maternos e paternosviveram sempre de uma forma quase primitiva, no tempo que a única carne que setinha era o porco para o ano inteiro, e aquilo que retiravam da terra. No tempoda apanha da azeitona e da monda do trigo, iam para a porta do Marquês donoquase das terras todas e eram escolhidos para a jorna desse dia, isto se fossemescolhidos.. muitas das vezes voltavam a fazer quase 12 km a pé de volta a casasem o dia da jorna.
Já eu tinha quase 30 anos quando eles souberamo que era luz elétrica e o que era ter um wc, lutaram muito para dar um futuromelhor aos seus filhos.
Os meus pais começaram a trabalhar desdepequenos no campo, chegaram a Lisboa depois de casados com 21 anos, sem umtostão, viveram num quarto alugado, depois uma casinha alugada até conseguiremter uma casa deles (isto passado 20 anos de estarem casados), nada de luxo masa casinha deles, o meu pai para conseguir ter dinheiro para esta casa dormia 3horas por dia, isto durante anos e anos, trabalhava de noite e de dia tinhamais um emprego e aos fins de semana outros dois, e sempre teve o seu terreno,aquilo que hoje se chama a horta social para termos tudo em casa que era delegumes. Os meus avós continuaram sempre a poupar e do pouco que tinham aindamandavam o azeite, os queijinhos e todos os miminhos que podiam.
Olho para eles como as pessoas que lutarampor este País e não aqueles que “chamaram os capitães de Abril” e todos ospolíticos que se seguiram, pessoas que não souberam o que foi as dificuldadesreais de um povo, sofreram pressões políticas? Sim e o meu avô passou fome eviveu anos numa choça, não viveu no exilio no luxo, pois sempre se recusou apartir da sua Pátria. (existem excepções? existem mas não são a maioria destePovo).
Os meus Pais foram funcionários Públicos omeu pai tem uma reforma de 700 euros, dirão muitos mas existem outros que recebemmenos, pois é mas ele trabalhou 40 anos e no duro, não sentando atrás de umasecretária e com um encarregado que se estivesse de mau humor lhe cortava odia, hoje viu a sua reforma cortada em 50 euros para ajudar a pagar uma dividaque não foi ele que a fez, ele trabalhou bem como os seus Pais para termos umPaís melhor. Não sabem o que é férias, e muito menos o que é comer fora.
Hoje o Estado Português considera pessoascomo eles pessoas ricas porque conseguem ter uma casa paga e por os seus Paislhe deixaram um terreno.
Sinto vergonha de ser portuguesa eapetece-me renunciar a esta nacionalidade que tão mal trata pessoas como eles,SINTO-ME REVOLTADA.
Fernanda Geraldes