Bactérias Infecciosas

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Uma visita inesquecível à Assembleia da República

Alguns associados da APRe! (Associação Cívica de Aposentados Pensionistas e Reformados ) deslocaram-se à Assembleia da República na sequência de uma petição que recolhera 13500 assinaturas e que, portanto, tinha que obrigatoriamente ser discutida na Casa da Democracia. 
Como a sessão estava marcada para as 10 horas de 3 de Maio os associados da APRe!, pessoas já de uma idade em que é recomendável um certo cuidado com a saúde, foram chegando a partir das 9.30h e fizeram uma fila ordeira junto à porta. 
O dia estava solarengo e o no sítio da fila o sol aquecia a sério. 
Entretanto chegaram também muitos jovens estudantes que vinham em bando assistir à sessão. O tempo passava e as pessoas continuavam ao sol. Os jovens foram entrando em bando penso que com uma professora. As pessoas mais velhas, essas podiam esperar ao sol.! 
Por volta das onze e tal começaram a entrar às três de cada vez e tendo que passar pelo crivo da segurança, o que não é mau em si, se não atingir o exagero que se verificou! 
Tivemos que deixar ficar todos os haveres na posse da polícia: as senhoras as carteiras e os homens toda a tralha com que costumam andar nos bolsos. Óculos só os que fossem nos olhos. 
Mas o cuidado maior foi para as camisolas que diziam APRe! chamadas “camisolas de manifestação”. Essas nem pensar, apesar de ninguém a levar ostensivamente!! 
Houve quem perguntasse qual era a lei que proibia uma pessoa de vestir uma camisola com um logótipo na frente, mas é claro que ninguém soube responder. 
Três senhoras foram obrigadas a despir as camisolas e a subir de “soutien” com as parcas que tinham que segurar permanentemente para ficarem fechadas. Outras com a pressa esqueceram-se de lenços e, no fim de subirem as escadarias perguntaram por uma casa de banho onde talvez “roubassem” um pouco de papel. Qual quê, não havia nada para ninguém! 
Eu, para me despachar, acabei por mostrar o estômago a um policia pois a policia mulher não dava vazão para se certificar se nós trazíamos “camisolas de manifestação” (o que será?) por baixo das camisolas normais. 
Chegados enfim às galerias lá assistimos à coreografia que costumamos ver na televisão, lá ouvimos o que não devíamos ter ouvido porque somos cidadãos que já contribuímos durante décadas com o nosso dinheiro , estamos a pagar um imposto a mais que os outros cidadãos e, portanto, no mínimo, somos credores, pelo menos de gratidão. 
No entretanto um senhor que eu não conhecia veio dizer – Tiraram nos tudo, mas ficamos com a voz – Vamos utiliza-la! 
E foi assim que quando acabou a discussão que nos levou à Casa da Democracia os associados mais esquerdistas da APRe! começaram a cantar a Grândola enquanto saíamos; e, embora a policia nos tivesse inutilmente vindo expulsar o que se passou foi sairmos por nossa iniciativa porque não tínhamos mais nada a fazer ali, só não cabíamos todos ao mesmo tempo na porta.!. 
Foi esta a história, a triste história da visita a uma casa que quer ser respeitada à força, mas não respeita os cidadãos que legitimamente a visitam. 
Tal como está e como funciona a Assembleia da Republica não é digna de representar os cidadãos, mas estou convencida que pensa que os substitui e que eles são apenas pequenas bactérias infecciosas !! 
Teresa Rio Carvalho
(Dirigente da APRe!)