Carta aberta e esperançosa às gerações mais velhas

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Diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues escreveu a pedido do DN uma carta aberta às gerações mais velhas, às quais chama de tesouro inestimável da nossa sociedade.

 Espero que seja verdade o que escreveu o dramaturgo russo Anton Tchékhov: só abrimos bem os olhos quando somos infelizes. Se assim for, teremos a capacidade coletiva de aprender durante a travessia da tempestade que é esta pandemia, olhando melhor para o que é mais importante. Seria bom que os dias difíceis que estamos a viver nos tornassem mais sábios e servissem para compreendermos que as gerações mais velhas são um dos tesouros inestimáveis da nossa sociedade. Seria fundamental que compreendêssemos que aqueles que, nas últimas semanas, nos habituámos a nomear como um grupo de risco são, na verdade, um grupo que não podemos arriscar perder. É a vós, os mais velhos de entre nós, que endereço estas palavras e a minha esperança.

 Espero que neste tempo de distanciamento social tenhamos a capacidade de sentir (de sofrer, mesmo) a falta que nos fazem e a falta que vos fazemos. Ao abandonarmos de modo gradual o confinamento a que temos estado sujeitos, o regresso à vida não deveria significar voltarmos à normalidade de antes. Devíamos aproveitar para trilhar convosco um caminho que nos dirija a uma sociedade em que envelhecer não seja sinónimo de solidão, negligência, abandono. Não apenas por vós, mas por nós e pelos vindouros. Devíamos, com a força das coisas inadiáveis, compreender que o que fizermos por vós hoje é o que podemos aspirar a que façam por nós no futuro. Devíamos saber cuidar de vós.

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