Colóquio

1
O exemplo dos reformados
Um dos movimentos de reformados portugueses mais influentes (a APRe!), que nasceu com a austeridade, juntou-se ontem em Lisboa com grupos semelhantes do resto da Europa. A reunião vale pelo seu simbolismo. As ideias e resoluções que dela saíram valem pelo seu significado: as diferentes associações da UE que representam os mais idosos querem unir-se num movimento à escala europeia, para poderem ganhar um outro poder de reinvindicação.
A ideia, de tão simples e óbvia, obriga a questionar porque não foi adotada por outros sectores nacionais. Melhor dizendo, pelos líderes políticos. A crise que nasceu nos EUA mas se abateu sobretudo sobre a Europa, atacou, como seria natural, os países mais pobres, em primeiro lugar. A Irlanda deu o pontapé de saída, mas depois os problemas estenderam-se a quase todas as nações do Sul, da Grécia a Portugal, passando pelo Chipre, mas também por Itália e Espanha, e até a França, onde as esperanças num finca-pé de François Hollande à poderosa Alemanha de Angela Merkel rapidamente esbarrarram na realidade.
Ora, se é verdade que Portugal, Grécia ou Chipre – e mesmo os irlandeses – pouco peso têm no quadro dos gigantes europeus, a conversa já é outra quando se fala de Espanha, Itália ou França. E se os portugueses, gregos e cipriotas – e também a Irlanda – tivessem investido numa união de esforços com as economias mais fortes que também passaram por dificuldades, o poder de reinvindicação e argumentação teria sido bem diferente.
Como isso não aconteceu, cada qual procurou o seu caminho. Com sucesso para os mais fortes. Com grandes dúvidas em relação ao destino dos mais fracos, cujo colapso menos mossa pode fazer à união económico-financeira da UE. Por isso a União Europeia os trata como aos emigrantes ilegais que morrem na suas costas: sem mostrar grande vontade política de resolver o problema e adiando resoluções sistematicamente.