Niñas….al Salón!

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Niñas…. al Salón!
Desunhei-me a escolher o título desta Crónica. Até parecia o Governo. Hoje é assim, amanhã assado, logo de outra maneira; afinal como disse é que era; infelizmente não pode ser; pode, pode, era tudo a brincar, não façam caso. Tremedeira do sério ao a-brincar num, “Era não era andava a lavrar, mandaram-lhe cartas de mau sinal. Que o pai era vivo, a mãe por nascer. Que havia ele de fazer? Pegou nos bois às costas, pôs o arado a comer.” Querem melhor para adormecer meninos ou o Povo? Para já define o Governo que não temos ou ensandeceu?!
Endoidando ia eu ao escolher o encabeçar deste escrito.
Perante o desgoverno ignorante e desumano de CPP, o malabarismo de Portas e o ilusionista (vendedor de ilusões) Gaspar, o Circo Governativo, sem palhaço, segue apoiado na claque ministerial e parlamentar com as palmas de obrigação. Ministros e Deputados não têm outras funções. Lembram as claques das Comédias ou da Revista à Portuguesa no Parque Mayer. Assim, o primeiro título eleito foi A Gaiola das Loucas, “La Cage aux folies” de Jean Poiret, logo Filme com Hugo Tognazi (com outros remarkes), musical na Broadway e entre nós, comédia de la Féria. Um êxito.
Escolhera-o não pela gayisse onde a comédia se centra, hoje orgulhosa situação premiada pelo Governo (socretino, ao tempo) com a farsa casamenteira, mas porque a governação que temos é verdadeira loucura engaiolada. Aconteceu, porém, que Daniel de Oliveira um dos residentes de O Eixo do Mal, programa que procuro sempre não perder, usou a designação para caracterizar o Governo. Para não me acusarem de apropriação de alheio, coisa que pouco incomoda este país a começar pelos roubos perpetrados pelo governo, no que não só é reincidente, mas, como já aqui registei, contumaz, sem que tal incomode a justiça, desde o tribunal de 1ª Instância ao Tribunal Constitucional, desisti da ideia.
Virei-me para La Bodega de Vicente Blasco Ibañes. Pelo conceito em castelhano (Taberna) e pelo sentido que tem ou ganhou em português. Bodega caracteriza perfeitamente o governo de CPP, tasca ou locanda com seus membros (sobretudo o Chefão Mor e os capangas mais próximos) ébrios de poder sem sentido e legitimidade. Daí os actos de desgoverno serem uma sujeira – BODEGA pois.
Acresce que V.B.I. foi escritor revolucionário e agitador. Exactamente do que precisamos para comandar a REVOLTA dos Portugueses contra um Governo que rouba com um descaro que nunca o Gonçalvismo permitiu ou o Estado Novo ousou (pelo contrário). Governo, só sustentado pela inércia do PR.
É ainda oportuno recordar, que V.B.I. foi percursor dos movimentos de massas contra um governo que manobrava os deputados (“encasillados”), eleitos sem ser conhecidos pelos eleitores, pouco ou nada se importando com eles. Isto exigia, exige hoje, aqui e agora, “del «gran hombre», una ruptura en la forma de hacer política”.
Ora são esses “grandes Homens” que hoje faltam a Portugal e que tivemos em todas as três Repúblicas havidas – ESTADISTAS. Politiqueiros há de sobra, a começar pelo Governo e a acabar na oposição que se propõe prossegui-lo, de onde veio e se agudizou a “crise”. Haja memória histórica!
A Bodega parecia escolha certa.
Porém, de Domingo ao hoje em que escrevo a bandalhice trampolineira do Governo foi tão grande que compará-lo à Gaiola das Loucas seria elogio; dizê-lo, no ser e estar, A Bodega um louvor. O Governo em desumanidade, mentira, trapaça, palhaçada, desprezo pelos portugueses, demagogia e jogo eleitoralista, incompetência, ignorância, desfaçatez e sem pudor – guião de um teatro burlesco, que ninguém engana – vai além da sujeira e da loucura. A ser pessoa de bem preferiu a má-fé. Má-fé quando, volta a encarniçar-se contra Reformados e Pensionistas, para liquidar de vez a Classe Média, base da Democracia que odeia. Inspirou-o, por certo, o Ministro da Defesa no Conselho de Ministros da galhofa. Tendo estudado melhor a vida do General Paton do que o processo dos Estaleiros de Viana do Castelo, aliás mal estudado pela Autarquia – mais interessada no acabar com as Touradas – aconselhou como o General: “Se se perde de vista um objectivo fundamental, há que redobrar o esforço para o alcançar”. É o que o Governo intenta no carjaking constante sobretudo contra os idosos, impedido de, como desejaria, encetar um holocausto pelo qual o patrocinador da imoralidade em tempo ansiava. Má-Fé ainda no processo de mobilidade (Horário Zero = Salário Zero) – o mais escandaloso e encapotado meio de despedir sem pagar. Perante esta canalhice, este dividir para reinar, lembrou-se-me: O Niñas…al Salon! de Vizcaino Casas, que tenho e mantenho em castelhano, embora haja tradução portuguesa (“Meninas à Sala!”) , para não ofender quem quer que seja.
Pois que outra coisa é a Troika que o proxeneta que vem de tempos a tempos pedir contas à Madame (a Patroa), que é o Governo a seu mando, nessa Casa de Raparigas ou de Tia, no dizer nortenho, em que se transformou, a comando de CPP, a Sala de imoralidade dos Conselhos de Ministros, por onde desfilam as leis mais iníquas que alguma vez pensar pudemos, e onde falta o que abunda nos contos de V.C.: o humor, a melancolia de um passado que pensávamos suporte do futuro que nos estão roubando e a desenfadada visão do Mundo da “profissão mais antiga do Mundo”, que o governo fez sua, prostituindo-se à Troika e outros mandantes.
Que fazer? Antes de mais, lembra o Professor Adriano Moreira, “restaurar um valor importante: o da Confiança entre a Sociedade Civil e o Estado” Confiança que, como o sonho, este impune Governo de CPP nos roubou.
Abrahan Lincoln em 1863 dizia: “O Estado é o povo, e o povo não pode afundar-se?” Nadador Salvador – Precisa-se. 
Diário do Minho de 17 de Maio de 2013
Gonçalo Reis Torgal