Opinião

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GOVERNO MENTE

Em 2013 apenas as pensões de valor igual ou inferior a 254€ tiveram aumentos entre 4 e 9 cêntimos por dia, e muitas pensões mínimas continuaram a não ser atualizadas em 2013. 
A mentira está a ser utilizada cada vez mais por este governo para enganar e manipular a opinião pública. Vem isto a propósito da campanha feita pelo governo e pelos seus defensores nos media de que, em 2013, as pensões mínimas foram atualizadas. Vários jornalistas, por falta de rigor, participaram também nessa campanha de manipulação da opinião pública pois “esqueceram-se” de informar que os aumentos irrisórios abrangiam algumas, mas não todas as pensões mínimas. 
Uma análise rigorosa revela que a politica violenta de austeridade desigual do governo e da “troika” está atingir também os reformados e aposentados com pensões mais baixas e que o aumento das pensões mínimas tão propagandeado pelo ministro do CDS, Mota Soares, é um embuste para enganar a opinião pública. 
Segundo a Conta da Segurança Social, em 2011, o número de pensionistas com pensões até 254€ eram apenas 239.532; em 2012 não deviam ultrapassar os 250.000. Foram apenas estes que tiveram, em 2013, uma subida nas suas pensões entre 4 e 9 cêntimos por dia. No fim de 2011, 1.170.132 pensionistas recebiam pensões entre 254€ e 419€, que não foram aumentadas nem em 2013, nem em 2012, nem em 2011. O mesmo aconteceu com os 194.361 pensionistas com pensões entre 419€ e 629€. Por aqui se conclui que Passos Coelho mentiu descaradamente quando mostrou preocupação pelos pensionistas que recebem menos de 600€ por mês, ao atacar violentamente no congresso da JSD todos reformados dizendo que recebem pensões para as quais não descontaram. Em relação aos aposentados, e segundo a CGA, de um total de 470.000 cerca de 60.000 recebiam pensões inferiores a 250€ por mês, e foram apenas estes que tiveram, em 2013, aumentos entre 4 e 9 cêntimos por dia. 
Em resumo, de mais de três milhões de reformados e aposentados que existem atualmente no país, a esmagadora maioria a receber pensões muitos baixas, pouco mais de 310.000, e não um milhão como afirmou o ministro Mota Soares, ou seja, cerca de 10% tiveram aumentos em 2013 entre 4 e 9 cêntimos por dia. Para além disso, e contrariamente àquilo que o governo e comunicação social afeta procuraram fazer crer, mesmo os aumentos irrisórios não abrangeram todas as pensões mínimas.
Para este governo um pensionista com uma pensão superior a 254€ é “rico”, por isso não tem direito a aumentos. No período 2010-2013, a subida de preços deverá ser superior a 9%, o que determina uma redução do poder de compra dos reformados e aposentados em Portugal com pensões muito baixas, já que a maioria deles não teve nos últimos anos qualquer actualização, mesmo simbólica. Fica assim claro também que a politica de austeridade violenta e desigual imposta pelo governo PSD/CDS e pela “troika” aos portugueses está a atingir de uma forma extremamente violenta os grupos populacionais com rendimentos muito baixos, no caso dos pensionistas e aposentados com rendimentos mesmo inferiores ao limiar da pobreza. É uma politica fortemente recessiva que está destruir não só as empresas e a economia, mas também a corroer gravemente o tecido social, pois está a arrastar para a miséria centenas de milhares de portuguesas que já viviam na pobreza.
Eugénio Rosa