Opinião

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APRe!
Não tenho dúvidas de que medidas duras teriam de ser tomadas para estancar o descalabro que assolou este país endividado. E porque o problema é de todos, ninguém poderia ficar de fora do esforço que teria de ser feito. Porém, a equidade teria de ser garantida, princípio que nem sempre é respeitado.
Desta vez e de um modo quase inqualificável, foram os reformados as vítimas da voracidade do saque que as finanças incluíram no OE 2012, cortando os seus rendimentos de forma excessiva e cruel, talvez porque a Troika os considerou “má despesa”.
Vítimas da sua própria condição que lhes não permite atitudes de força como os ainda activos podem tomar, tornam-se no “cordeiro” a sacrificar neste arresto brutal que os vai obrigar a uma vida mais difícil a partir de agora.
Não será justo que esta iniquidade passe sem reparo e, para isso, a Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRE) fez hoje entrega, na Assembleia da República, de uma Petição com treze mil assinaturas, contra o OE 2012, bem como pedem ao Presidente da República que solicite a sua fiscalização preventiva.
Parece que esta questão merece um tratamento que evite a injustiça de que os pensionistas, pelos cortes nas suas pensões, são alvo porque foram excessivamente atingidos pelo esforço que, de modo desigual, lhes é exigido.
Se o Tribunal Constitucional já, por uma vez, evitou uma “desigualdade” que, no caso, não tinha a evidência nem a expressão que esta tem agora, esperam os maltratados pensionistas que, também desta vez, considere inconstitucional esta autêntica sevícia.
Rui de Carvalho
(Jornal de Gaveta)
13.12.12