Protestos e bom senso

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O protesto não foi o desejado de início pela CGTP mas não deixou de ter impacte: afinal não é todos os dias que uma fileira de quatro centenas de autocarros atravessa a Ponte 25 de Abril num e outro sentido. E no final da manifestação, já com a multidão apeada em Alcântara, regressada a Lisboa depois da ida à margem sul, Arménio Carlos anunciou novo protesto da central sindical para 1 de novembro frente à Assembleia, com o orçamento e as políticas de austeridade na mira. A esperança agora do líder sindical é que o Presidente Cavaco Silva trave o orçamento desenhado pelo PSD-CDS e que a CGTP diz ser ditado pela troika.
Houve também grande manifestação no Porto, com a travessia a pé da Ponte do Infante, mas as atenções estavam centradas há vários dias na imponente estrutura avermelhada que há quase meio século cruza o Tejo. E se o ministro da Administração Interna acabou por proibir a manifestação baseando-se em recomendações dos peritos em segurança, tese de perigosidade sempre contestada pela CGTP, a verdade é que a central sindical soube reagir com alguma imaginação à recusa da sua ideia inicial.
Não houve problemas e isso é importante. Os protestos fizeram-se ouvir e o Governo sabe que muita gente contesta as suas opções. A polícia fez sentir a sua presença, mas não teve de agir. Assim, o sentido de responsabilidade de todos acabou por vir ao de cima e se é verdade que a CGTP sabe enquadrar de forma ordeira as suas manifestações, é evidente também que os portugueses, mesmo em tempo de crise económica aguda, preferem evitar somar novas crises que não trariam vantagens para ninguém a não ser os defensores do caos. Bom senso.

(DN Opinião)