Velhos e sem dentes

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Daniel Deusdado

Morrer num lar, em circunstâncias miseráveis, deve ser o pior pesadelo que se pode ter sobre o fim da vida. Talvez não haja pobreza maior que esta. Mas sabemos que é o reflexo de um país onde as famílias tentam sobreviver desesperadamente para pagar contas e onde não há nem tempo, nem espaço, e às vezes nem saúde, para cuidar dos mais velhos.
Sabe-se que há bons lares, há os mais ou menos e há a maioria – sítios onde qualquer pessoa não gostaria de ficar dependurado até parar de respirar. A tragédia de Reguengos de Monsaraz é, por isso, uma possibilidade real, quotidiana, desta vez detetada por força da atenção da covid e do elevado número de vítimas em simultâneo. Um acaso.
Todos sabemos qual a solução dada ao problema: mais dinheiro do Orçamento para haver mais gente a apoiar os utentes. É bom, mas apenas um curativo mínimo numa ferida gigantesca. Realmente, a verdadeira solução, mais justa e transversal, seria aumentar o valor das pensões de sobrevivência (e das outras pensões de valores mais baixos). Isso tornaria possível que houvesse outras condições económicas para que muitos idosos, afinal, não tivessem de sair de suas casas ou da casa das famílias e pudessem ter, até, prestadores de cuidados no seu próprio domicílio. Contudo, se os lares fossem a melhor ou única solução, as pensões dessas pessoas financiariam de forma mais adequada as suas permanências nessas instituições

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